Caro Pedro Vieira,
Não resisto a comentar duas passagens do seu mail:
> > On 4/20/07, Pedro Vieira <pvieira@dps.uminho.pt> wrote:
> >> Em vez disso a organização do evento
> >> incentivou a plateia ao sentimento anti-Microsoft.
Quer fundamentar a sua opinião um pouco melhor? É que eu não vi nada
disso. A organização convidou (pela 2ª vez consecutiva) a MS para
estar neste evento; deu-lhe a oportunidade de exprimir os seus pontos
de vista. E diz que incentiva o sentimento anti-Microsoft?
Refere-se ao facto de alguma plateia ter rido quando o representante
da MS disse que a empresa em uma longa história de promoção de
interoperabilidade? é um pouco difícil ficar sério perante esta
afirmação... de resto, eu ouvi até aplausos no fim de cada intervenção
e acho que toda a gente foi tratada com o máximo respeito.
Para ser sincero, eu até acho que a presença da MS não acrescenta já
valor nenhum... O ano passado foi interessante; foi morno, muito
cordato, mas interessante e positivo, apesar de tudo. Este ano o
debate foi mais aceso, mas de facto já pouco se retira daqui. A MS faz
o que qualquer outra empresa no seu lugar faria ... São muito raros os
casos de empresas que, detendo um monopólio, abrem mão dele. A MS faz
o que um monopolista faz: defende a sua coutada, procura impor os seus
próprios standards... Não podemos pedir à MS que se comporte como
aquilo que ela não é.
Assim, que cada um siga o seu caminho. Os negócios, como se costuma
dizer, só interessam quando são bons para todas as partes; se não
precisamos do SW da MS e se a MS não precisa do nosso dinheiro, que
relevância tem a MS neste evento? É apenas mais uma empresa que
procura defender o seu modelo de negócio. Sim, esta defesa colide
directamente frequentemente com coisas que eu, pessoalmente, acho
muito importantes: a interoperabilidade, os standards, a liberdade de
escolha, os "commons"...Mas enfim, façamos aquilo a que o Sérgio
Amadeu nos exortou: estejamos atentos! Promovamos a liberdade de
escolha! Evitemos o aprisionamento! Mas não se peça à MS que seja o
que ela não é. Por esta razão, eu acho que a presença da MS já pouco
acrescenta neste evento.
Aliás, ainda mais espantado fico com esta sua afirmação, quando o Dan
Kohn (de cuja apresentação diz que gostou muito, e eu também) foi
muito mais incisivo do que a organização, o Sérgio Amadeu ou a
audiência: ele fez uma alusão explícita às práticas de F.U.D da
Microsoft! Mostrou publicidade anti-linux da MS! Mais ninguém fez isso
no evento! O Eduardo Taborda da Sybase até referiu isso...Onde é que
está então o sentimento anti-MS da organização?
> >> Relativamente ao Sérgio Amadeu gostava só de dizer que eu posso não ser
> >> muito iluminado, mas não sou estúpido. Ditadores anti-Microsoft como ele
> >> que voltem para o Brasil
Das suas palavras deduzo que o Ségio Amadeu terá insultado a sua
inteligência... No entanto, como se limita a chamá-lo de ditador e
mandá-lo para a terra dele (era escusada essa... espero que os
rapazinhos que andam a fazer cartazes no Marquês de Pombal em Lisboa,
com essas mensagens, não andem a fazer escola...) ficamos sem saber o
que é que, em sua opinião, o transforma num ditador
fundamentalista...eu, pelo menos, não percebi. E acho paradoxal que
alguém que diz que não é fundamentalista chame fundamentalista, sem
mais, aos outros; concordará que não é propriamente um exemplo de
tolerância.
Ainda por cima, se não estou em erro, na sua apresentação final
(absolutamente empolgante, na minha opinião) o Sérgio Amadeu não falou
uma única vez da MS... Falou dos 'commons', de como este conceito
extravasou o SW para abarcar inúmeras áreas, desde a criação artística
ao espectro radiofónico...exortou-nos à defesa do espaço público, da
liberdade de criar. Fê-lo com um entusiasmo, para mim, contagiante,
tal como já tinha feito há 2 anos neste mesmo evento. Foi uma
apresentação extraordinária; se os valores que ele defendeu na sua
apresentação são "fundamentalismo", então contem com mais um
fundamentalista - e com muito gosto!
Peço desculpa pelo tom se calhar algo acalorado da minha mensagem, mas
de facto não consegui resistir a comentar estes dois pontos, com os
quais estou em completa discordância.
saudações
ar
Received on Fri Apr 20 16:21:41 2007
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